Banner topoBanner topo

Técnico de enfermagem é preso na Capital de MS após paciente denunciar estupro em UTI

Um técnico de enfermagem, de 52 anos, foi preso na segunda-feira (13) por equipes da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), em Campo Grande, após ser investigado por uma denúncia de estupro apresentada por uma paciente de 27 anos que estava internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Regional de Mato Grosso do Sul (HRMS).

O mandado de prisão foi cumprido na residência do investigado, localizada no Bairro Manoel Taveira. A informação foi confirmada pela defesa do profissional, representada pelo advogado Matheus Morandi.

Segundo o advogado, a decretação da prisão preventiva foi recebida com surpresa. A defesa informou que respeita a decisão judicial, mas considera a medida desnecessária e desproporcional, afirmando que adotará as providências legais para tentar revertê-la e que confia na inocência do investigado.

Conforme as investigações, equipes da Deam estiveram no Hospital Regional durante as diligências relacionadas ao caso. Também foi apurado que o técnico havia sido afastado de suas funções na unidade de saúde, embora, até a manhã desta terça-feira (14), não houvesse publicação oficial do afastamento no Diário Oficial do Estado.

De acordo com o boletim de ocorrência, a paciente está internada desde o dia 15 de junho devido a complicações relacionadas à gravidez e ao período pós-parto. Ela deu à luz em 30 de junho e precisou ser encaminhada para a UTI após sofrer uma hemorragia decorrente da cirurgia.

Segundo relato registrado pela Polícia Civil, o suposto abuso teria ocorrido durante a madrugada de sexta-feira, enquanto a jovem permanecia internada na unidade de terapia intensiva.

Conforme a denúncia, o técnico de enfermagem participou do atendimento da paciente, administrou medicamentos e, posteriormente, teria retornado ao leito. A mulher afirmou que estava sonolenta em razão da medicação, mas despertou durante o suposto abuso e conseguiu identificar o investigado antes que ele deixasse o local.

Ainda segundo o registro policial, a paciente contou o ocorrido a uma técnica de enfermagem que assumiu o plantão seguinte. A profissional comunicou imediatamente a enfermeira responsável e a psicóloga da unidade.

Após a denúncia, a paciente foi transferida da UTI para um quarto da maternidade, onde passou a permanecer acompanhada por familiares.

Além do registro da ocorrência por estupro de vulnerável, a vítima solicitou medidas protetivas. A Polícia Civil requereu à Justiça que o investigado seja proibido de se aproximar da paciente, manter qualquer tipo de contato com ela e exercer atividades profissionais envolvendo pessoas em situação de vulnerabilidade enquanto o caso estiver sob investigação.

Em entrevista concedida antes da transferência hospitalar, a paciente afirmou viver momentos de medo, angústia e insegurança desde o episódio.

“Eu me senti totalmente vulnerável, desprotegida”, declarou.

Na manhã desta terça-feira (14), a vítima informou que foi transferida para a Santa Casa de Campo Grande.

Em nota oficial, a direção do Hospital Regional de Mato Grosso do Sul informou que acompanha as investigações conduzidas pela Polícia Civil e afirmou confiar na apuração dos fatos.

“O hospital acompanha o andamento das investigações e reafirma sua confiança de que, após o devido processo legal, os responsáveis serão identificados e responsabilizados na forma da lei”, informou a instituição.

O hospital também destacou que, desde que tomou conhecimento da denúncia, no domingo (12), vem adotando as medidas necessárias para colaborar com as investigações, além de oferecer acolhimento e suporte à paciente.

Esta é a segunda denúncia de estupro envolvendo profissionais do Hospital Regional de Mato Grosso do Sul nos últimos cinco anos. Em fevereiro de 2021, durante a pandemia da Covid-19, uma paciente de 36 anos denunciou outro profissional por violência sexual dentro da unidade hospitalar. Em 2024, a Justiça de Mato Grosso do Sul condenou o acusado a oito anos e seis meses de prisão.

O caso segue sendo investigado pela Polícia Civil. Até o momento, não há decisão judicial definitiva sobre a responsabilidade criminal do técnico de enfermagem preso.