Cerimônia reuniu autoridades, ministros e lideranças em Três Lagoas; empreendimento da Petrobras prevê investimentos de mais de R$ 5 bilhões e geração de cerca de 8 mil empregos
Três Lagoas recebeu nesta quinta-feira (25) a agenda presidencial que marcou a assinatura dos contratos para a retomada da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN-III). A cerimônia contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, autoridades federais, estaduais e municipais, além de representantes do setor produtivo.
Antes da solenidade, o movimento no aeroporto da cidade foi intenso desde as primeiras horas da manhã. O local teve reforço no esquema de segurança, com atuação da Polícia Rodoviária Federal, Polícia Militar e agentes do Gabinete de Segurança Institucional (GSI). A comitiva presidencial desembarcou por volta das 8h.
Obra volta ao centro da agenda nacional
Durante a cerimônia, Lula assinou os contratos que viabilizam a conclusão da planta da UFN-III, empreendimento ligado à Petrobras e incluído no Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). O projeto prevê investimentos de mais de R$ 5 bilhões.
A unidade estava paralisada desde 2015. Segundo a reavaliação técnica e econômica feita pela estatal, a retomada foi considerada viável e alinhada ao Plano de Negócios 2026-2030.
Na fala durante o evento, o presidente defendeu a importância estratégica da produção nacional de fertilizantes e criticou a dependência do país da importação desses insumos. Ele também mencionou tentativas de venda da Petrobras em gestões anteriores.
Autoridades destacam impacto regional
Entre os presentes, a ex-ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, afirmou que o projeto tem potencial de ampliar a produção nacional de fertilizantes. Ela disse que o país pode avançar na participação da produção interna e, em cenário futuro, até dobrar essa capacidade.
Questionada sobre o aeroporto de Três Lagoas, Tebet afirmou que a situação está vinculada à concessão do aeroporto de Brasília. Em outro momento, respondeu a críticas do prefeito de Três Lagoas sobre a ausência de recursos federais no município, afirmando que pretende tratar do assunto diretamente.
O vice-governador de Mato Grosso do Sul, José Carlos Barbosa, o Barbosinha, também destacou a relevância econômica da UFN-III para o estado e para o Brasil. Ele apontou a redução da dependência externa de fertilizantes, a geração de empregos e o reforço à competitividade do agronegócio.
Barbosinha afirmou ainda que a obra deve provocar impactos na infraestrutura da cidade, com chegada de trabalhadores e maior demanda por serviços públicos. Segundo ele, o governo estadual deve atuar em parceria com os municípios para ajudar a atender essas necessidades.
Empregos e produção
De acordo com as informações apresentadas no evento, a retomada da UFN-III pode gerar cerca de 8 mil empregos diretos e indiretos. Quando entrar em operação comercial, prevista para 2029, a planta deve produzir 3,6 mil toneladas diárias de ureia granulada e 2,2 mil toneladas diárias de amônia.
A estimativa é de cerca de 1,3 milhão de toneladas de ureia por ano, volume equivalente a aproximadamente 16% da demanda nacional do insumo. A localização em Três Lagoas é considerada estratégica pela proximidade com importantes regiões produtoras do Centro-Oeste e de outros estados.
A cerimônia em Três Lagoas consolidou a mobilização para a conclusão da obra e reuniu lideranças que defendem a ampliação da produção nacional de fertilizantes. Para autoridades presentes, a UFN-III representa um passo importante na redução da dependência brasileira de importações e no fortalecimento da economia regional.


