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Polícia deflagra operação e prende suspeito ligado a grupos neonazistas após morte de adolescente em MS

A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul deflagrou nesta terça-feira (4) a Operação Lívia, que investiga a morte de uma adolescente de 13 anos encontrada sem vida na manhã do dia 22 de julho, em Naviraí, município localizado a cerca de 365 quilômetros da capital Campo Grande. As investigações apontam que o suicídio da jovem pode ter sido induzido por integrantes de grupos extremistas, com forte apelo neonazista e de supremacia branca, que atuavam em redes sociais e aplicativos de mensagem.

A operação foi conduzida pela Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca) de Mato Grosso do Sul, em parceria com o Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab) da Secretaria Nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça e Segurança Pública (Senasp/MJSP). As ações foram coordenadas nacionalmente pela Depca e resultaram no cumprimento simultâneo de seis medidas de busca e apreensão contra adolescentes e um mandado de prisão preventiva contra um adulto de 18 anos, nos estados de Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, Minas Gerais (com dois alvos), Ceará e Pará. Além disso, foram expedidos cinco mandados de internação para adolescentes envolvidos.

A tragédia veio à tona no último dia 22, quando a mãe e o padrasto da vítima encontraram a adolescente sem vida na varanda da residência da família, por volta das 6h da manhã. Imediatamente após a divulgação do caso, supostas conversas mantidas pela jovem em grupos virtuais começaram a circular nas redes sociais e levantaram suspeitas de que o autoextermínio teria sido influenciado e incitado por terceiros. Os prints, que ainda aguardam confirmação por meio de perícia técnica, mostram mensagens ofensivas, humilhações constantes e forte pressão psicológica direcionada à adolescente. Em uma das trocas de mensagens, um interlocutor chega a ignorar pedidos de desculpas da vítima e profere frases de incentivo à morte. Há também registros em que ela é coagida a participar de chamadas de voz em outro aplicativo.

Durante o cumprimento dos mandados, os agentes apreenderam diversos equipamentos eletrônicos, como celulares e computadores, que passarão por perícia especializada para extração de dados e identificação de outros possíveis envolvidos. Mas o que chamou ainda mais a atenção das forças de segurança foram os itens de cunho extremista localizados na casa de um dos adolescentes alvo da operação. Imagens divulgadas pela Polícia Civil de Mato Grosso do Sul mostram que o suspeito ostentava uma indumentária aparentemente neonazista, além de exibir uma versão da conhecida Bandeira Confederada, símbolo historicamente ligado aos estados sulistas dos Estados Unidos durante a Guerra Civil Norte-Americana, no século XIX, que defendiam a manutenção da escravidão. Atualmente, a bandeira é amplamente utilizada por grupos supremacistas brancos e extrema-direita ao redor do mundo, sendo reconhecida como um emblema global de segregação, racismo e discurso de ódio racial.

Não bastasse a simbologia extremista, o mesmo adolescente mantinha em sua residência uma espécie de arsenal, com uma arma de fogo e diversos armamentos brancos, como facas e objetos cortantes, o que acendeu alertas sobre a periculosidade do grupo e a escalada de violência entre os envolvidos. As investigações seguem em andamento, e a polícia não descarta a possibilidade de novos desdobramentos, incluindo a identificação de outros adultos que possam ter atuado como mentores ou recrutadores dentro dessas células virtuais. O caso reforça a preocupação das autoridades com o avanço de grupos de ódio nas redes sociais e a vulnerabilidade de adolescentes diante desse tipo de aliciamento e coerção psicológica.