Mato Grosso do Sul amanheceu de luto nesta terça-feira (23) com a notícia do falecimento de Marcelo Miranda Soares, ex-governador do Estado. Aos 87 anos, o engenheiro e político que participou ativamente da construção e consolidação da nova unidade da federação deixou um legado de infraestrutura e desenvolvimento .
Natural de Uberaba, em Minas Gerais, onde nasceu em 1º de dezembro de 1938, Marcelo Miranda construiu sua trajetória profissional e política em Mato Grosso do Sul. Formado em Engenharia Civil, sua ligação com a região começou antes mesmo da divisão do antigo Mato Grosso, quando atuou na construção da Usina Hidrelétrica de Jupiá, empreendimento de grande porte localizado entre Três Lagoas (MS) e Castilho (SP) .
Sua entrada na vida pública ocorreu na década de 1970, quando ocupou funções na Cemat (Centrais Elétricas) e no Departamento de Estradas de Rodagem (Dermat), onde participou da construção de 4,5 mil quilômetros de estradas vicinais que integraram o Estado .
Carreira política
Em 1976, recebeu convite de Pedro Pedrossian e Levy Dias para disputar a Prefeitura de Campo Grande, sendo eleito e assumindo o cargo entre 1977 e 1978 . Como prefeito, criou o Projeto Cura, um programa que englobava investimentos em diversas áreas, desde abastecimento de água potável até a construção de escolas .
Com a criação de Mato Grosso do Sul em 1979, Marcelo Miranda foi nomeado governador pelo presidente João Figueiredo, tornando-se o segundo governador da história do Estado . Em seu mandato, participou da estruturação administrativa da nova unidade, com ações como a implantação de linha de transmissão de energia entre Campo Grande e Corumbá, incentivo à criação de 15 municípios e investimentos em rodovias estratégicas .
Em 1982, elegeu-se senador por Mato Grosso do Sul, representando o Estado no Senado Federal . Em 1986, retornou ao Palácio do Governo como governador eleito, cumprindo mandato até 1991 .
Seu último cargo público foi o de superintendente regional do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) em Mato Grosso do Sul, entre 2003 e 2012 .
Nos últimos anos, Marcelo Miranda enfrentava problemas de saúde. Segundo informações da família, ele estava internado há cerca de 20 dias em um hospital de Campo Grande, tratando uma pneumonia severa, além de problemas cardíacos e renais crônicos que exigiam hemodiálise regular .
O neto do ex-governador, deputado estadual João Henrique Catan, confirmou o falecimento em publicação nas redes sociais, prestando homenagem: “Meu avô desligou-se deste plano ao seu estilo: não sem antes lutar, não desistiu. Até o último minuto encarou como penitência o que mais detestava: a espera” .
Ainda não foram divulgadas informações sobre velório e sepultamento .
Marcelo Miranda deixa a esposa Maria Antonina Cançado Soares, os filhos Paulo Eduardo, Paulo Henrique e Ana Cristina, além de netos, entre eles o deputado João Henrique Catan .


