A Justiça de Mato Grosso do Sul revogou, nesta quinta-feira (11), a prisão preventiva do ex-secretário municipal de Obras de Campo Grande e ex-diretor da Agesul, Rudi Fiorese, além de outros investigados na Operação “Buraco Sem Fim”. A decisão foi assinada pelo juiz Waldir Peixoto Barbosa, da 5ª Vara Criminal da Capital.
A operação apura um suposto esquema de fraudes em contratos de manutenção viária e tapa-buracos da Prefeitura de Campo Grande, que teria ocorrido entre 2018 e 2025.
O magistrado acolheu os pedidos apresentados pelas defesas de Erik Antonio Valadão Ferreira de Paula e Fernando de Souza Oliveira e estendeu os efeitos da decisão a Rudi Fiorese, Mehdi Talayeh e ao empresário Antônio Bittencourt Jacques Pedrosa.
Na decisão, o juiz ressaltou que a prisão preventiva não pode ser utilizada como uma “resposta simbólica” nem como uma forma de antecipação da pena. Segundo ele, eventuais riscos ao andamento da investigação podem ser mitigados por meio da adoção de medidas cautelares.
Com a revogação das prisões, os investigados responderão ao processo em liberdade, desde que cumpram as determinações impostas pela Justiça. Entre elas estão o uso de tornozeleira eletrônica pelo período de 180 dias, a comunicação prévia de qualquer mudança de endereço ou telefone e o comparecimento a todos os atos processuais.
Durante o cumprimento dos mandados de busca e prisão, em maio deste ano, os investigadores apreenderam cerca de R$ 500 mil em espécie nas residências dos investigados. Em uma das casas, pertencente a um servidor investigado, foram localizados aproximadamente R$ 186 mil em dinheiro.
Deflagrada em maio de 2026 pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), a Operação “Buraco Sem Fim” investiga um suposto esquema de fraudes em contratos de manutenção viária e serviços de tapa-buracos em Campo Grande.
Segundo o Ministério Público, os investigados manipulavam planilhas de medição para que a Prefeitura efetuasse pagamentos por serviços não executados ou realizados apenas parcialmente, causando prejuízo aos cofres públicos.
As investigações apontam ainda que a Construtora Rial, principal empresa citada no inquérito, recebeu mais de R$ 113 milhões em contratos e aditivos que atualmente estão sob apuração.
De acordo com o MPMS, Rudi Fiorese exercia o papel de “elo político” do suposto esquema, utilizando sua influência para beneficiar empresários em troca de vantagens financeiras.
Também são investigados Edvaldo Aquino, ex-coordenador do serviço de tapa-buracos, e Mehdi Talayeh, engenheiro da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep), suspeitos de participação nas irregularidades relacionadas às medições dos serviços executados.
O caso ganhou ampla repercussão por envolver contratos de manutenção das vias públicas da Capital e porque alguns dos investigados já haviam sido alvos da Operação “Cascalhos de Areia”, deflagrada em 2023 para investigar suspeitas de irregularidades em obras de pavimentação e manutenção de vias não pavimentadas.


