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Morre aos 98 anos Laura Cardoso, ícone da dramaturgia brasileira

O Brasil se despede de uma de suas maiores artistas. Laura Cardoso, nome fundamental da dramaturgia nacional, morreu aos 98 anos. A notícia foi confirmada na madrugada desta terça-feira (18) por meio de uma publicação em seu perfil oficial no Instagram.

“Nossa grande estrela se despediu de nós. Laura Cardoso estará para sempre em nossos corações. Obrigada por tudo, nossa amada e eterna Laura Cardoso”, diz o comunicado que homenageou a trajetória da atriz. Até o momento, informações sobre velório e sepultamento não foram divulgadas.

Nascida filha de portugueses, Laura cresceu em um ambiente familiar ligado às artes. Seu pai, comerciante e apreciador de teatro, apoiou sua escolha profissional, mas a mãe, inicialmente, resistiu — afinal, na década de 1940, havia forte preconceito contra mulheres que atuavam nos palcos. Aos 15 anos, porém, Laura já havia decidido seu caminho.

Sua carreira começou em 1944, no teatro, com uma montagem de Alice no País das Maravilhas. Em 1950, ano de inauguração da TV Tupi, estreou na televisão em teleteatros. Ao lado de nomes como Lima Duarte, Yara Lins, Lolita Rodrigues e Vida Alves, fez parte da geração que transitou do rádio para a TV e ajudou a consolidar a dramaturgia no país.

Ao longo de mais de 80 anos de trajetória, Laura acumulou mais de 150 personagens entre novelas, séries, filmes e peças. Na TV Globo, onde chegou em 1981 com a novela Brilhante, participou de sucessos como Mulheres de Areia (1993), A Viagem (1994), Explode Coração (1995), Chocolate com Pimenta (2003), Caminho das Índias (2009), Gabriela (2012), Sol Nascente (2016) e O Outro Lado do Paraíso (2017). Seu último trabalho na televisão foi em A Dona do Pedaço, em 2019.

Laura Cardoso deu vida a mulheres de todos os perfis — matriarcas, avós acolhedoras, vilãs e figuras cômicas. Entre os papéis mais marcantes estão Dona Isaura, em Mulheres de Areia, a espiritualizada Dona Guiomar, em A Viagem, a cigana Soraya, em Explode Coração, e a beata Doroteia, em Gabriela, com seu bordão “Jesus, Maria, José!”.

Em Sol Nascente, viveu a vilã Dona Sinhá, uma estelionatária viciada em jogos que escondia suas verdadeiras intenções sob uma aparência frágil. Em O Outro Lado do Paraíso, interpretou Caetana, dona de um bordel — papel que, a pedido da própria atriz, ganhou mais espaço na trama depois que ela convenceu o autor Walcyr Carrasco a não matar a personagem no início da história.

Mesmo aos 95 anos, Laura Cardoso mantinha vivo o entusiasmo pela profissão. Em 2023, em entrevista ao Estadão, declarou: “Gosto de estar com a minha gente. Em um estúdio, nada me cansa. Quero morrer trabalhando.” O desejo se cumpriu: ela atuou até perto do fim, sempre com a mesma paixão que a acompanhou por mais de oito décadas.

Homenagens de artistas

Nas redes sociais, colegas e admiradores lamentaram a perda. Miguel Falabella destacou a amizade construída com a atriz: “Para mim, era sempre um privilégio estar com ela e assisti-la debruçar-se sobre algumas personagens. Te amo, Laura! Muito mesmo! Até um dia!”

Marcelo Adnet publicou uma mensagem breve e afetuosa: “Eterna.” Fabiana Karla também se despediu: “Não estava preparada para uma despedida assim… Mas infelizmente… Você partiu…”

Laura Cardoso deixa um legado imensurável para a cultura brasileira. Sua voz, seu talento e sua presença em cena marcaram gerações e seguirão vivas na memória do público e na história da dramaturgia do país.