PF prende ex-secretário de Saúde de Selvíria por suspeita de desvio de verbas do SUS

A Polícia Federal prendeu nesta segunda-feira (23) o ex-secretário municipal de Saúde de Selvíria (MS), Edgar Barbosa dos Santos. A prisão preventiva foi autorizada pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3) após o avanço das investigações da Operação Rastro Cirúrgico, que apura suposto desvio de recursos do Sistema Único de Saúde (SUS).

Edgar já havia sido afastado da função quando a operação foi deflagrada, em 12 de agosto de 2025, e posteriormente exonerado. A demissão foi publicada no Diário Oficial da Associação dos Municípios de Mato Grosso do Sul (Assomasul). Com a saída, a então secretária-adjunta de serviços de saúde assumiu a pasta.

Linhas de investigação

De acordo com a Polícia Federal, as apurações apontam indícios de:

  • peculato (desvio de dinheiro público);
  • fraudes em processos licitatórios;
  • contratos com valores superfaturados;
  • corrupção;
  • lavagem de dinheiro;
  • evasão de divisas;
  • atuação de organização criminosa.

Os investigadores identificaram contratos que não teriam sido executados e serviços pagos acima do valor de mercado. Também há registros de contratos com o mesmo objeto, firmados no mesmo período e com os mesmos contratantes, o que pode ter gerado pagamento em duplicidade por procedimentos médicos e cirurgias.

Outro ponto sob apuração envolve uma clínica contratada que, segundo a investigação, não existiria fisicamente.

Mandados e bloqueio de bens

Na primeira fase da operação, a PF cumpriu 13 mandados de busca e apreensão:

  • seis em Selvíria (MS);
  • três em Aparecida do Taboado (MS);
  • quatro em São José do Rio Preto (SP).

A Justiça também determinou o bloqueio, sequestro e arresto de bens em até R$ 5 milhões por investigado, entre pessoas físicas e jurídicas. A medida busca evitar novos repasses e assegurar eventual ressarcimento aos cofres públicos.

Durante as buscas, foram apreendidos veículos, motocicletas de alto valor, armas e pedras preciosas. Os investigados ainda estão proibidos de firmar contratos com órgãos públicos em qualquer esfera administrativa.

A defesa do ex-secretário não havia se manifestado até a última atualização desta reportagem.

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