A nova tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos a países que mantêm relações comerciais com o Irã pode impactar diretamente a economia de Mato Grosso do Sul, um dos principais exportadores brasileiros para o país do Oriente Médio. O alerta vem após o anúncio feito pelo presidente norte-americano Donald Trump, na última segunda-feira (12), em meio à escalada das tensões entre Washington e Teerã.
Sem detalhar os setores atingidos, Trump declarou que qualquer país que fizer negócios com o Irã enfrentará a tarifa extra ao negociar com os EUA. A medida, segundo ele, tem efeito imediato. O Brasil, que tem o Irã entre seus principais parceiros comerciais no agronegócio, está na linha de risco — e Mato Grosso do Sul pode sentir o impacto de forma mais aguda.
Em 2025, o Estado exportou US$ 170,8 milhões ao mercado iraniano, sendo o milho o principal produto da pauta. O grão representou 28% de todo o volume exportado por MS ao país. Já os Estados Unidos foram o segundo maior destino das exportações sul-mato-grossenses, com US$ 539,4 milhões no mesmo ano, destacando-se produtos como carne bovina, celulose e ferro-gusa.
Caso o governo brasileiro opte por manter o comércio com o Irã, as vendas de Mato Grosso do Sul aos EUA poderão sofrer retaliação, afetando setores estratégicos como o de celulose — apontado pela Semadesc como um dos mais expostos ao risco tarifário.
A Aprosoja-MS (Associação dos Produtores de Soja de MS) avalia que a medida pode ter efeitos relevantes no agronegócio estadual. O milho é o setor mais vulnerável, e um eventual redirecionamento da oferta poderá pressionar os preços, ainda que de forma limitada pela crescente demanda interna.
Para a soja, o impacto direto deve ser menor, já que apenas 1% da exportação do grão foi destinada ao Irã. Mesmo assim, a entidade aponta riscos indiretos, como instabilidade nos preços internacionais e oscilações cambiais, reflexos de uma possível reconfiguração dos fluxos globais de comércio.
Diante do cenário, a Aprosoja-MS recomenda que produtores, cooperativas e empresas adotem estratégias de gestão de risco, com foco na diversificação de mercados e monitoramento constante das condições internacionais.




