Foto: Beatriz Feldens
A prefeita Adriane Lopes enfrenta mais uma semana de forte pressão política em Campo Grande. Problemas no transporte coletivo, reclamações sobre a saúde pública e críticas à infraestrutura urbana seguem alimentando o desgaste da administração municipal.


A crise envolvendo o Consórcio Guaicurus voltou ao centro do debate político após novas reclamações de passageiros sobre ônibus quebrados, atrasos e superlotação. Apesar da criação de uma comissão para analisar o contrato do transporte coletivo, setores da oposição afirmam que a prefeitura demora para tomar medidas concretas.
Na saúde, a situação também se tornou um dos principais focos de desgaste da gestão. Pacientes seguem relatando falta de medicamentos nas unidades básicas, dificuldades para conseguir remédios de uso contínuo e demora no atendimento em UPAs e CRS da Capital. Vídeos mostrando superlotação, pacientes em corredores e espera prolongada voltaram a circular nas redes sociais e páginas políticas locais nas últimas semanas.

No final do mês de abril, o Tribunal de Contas da União concluiu que há indícios de possíveis desvios de R$ 156,8 milhões do Fundo Municipal de Saúde, envolvendo recursos provenientes do Sistema Único de Saúde (SUS). O ministro Jhonatan de Jesus, relator do TCU, determinou que a prefeita Adriane Lopes explique, no prazo de 15 dias, o desaparecimento dos valores que deveriam ser aplicados nas unidades de saúde do município. O caso ganhou forte repercussão política porque ocorre em meio a denúncias de falta de medicamentos, precariedade no atendimento e dificuldades enfrentadas por pacientes na rede pública.
Outro ponto que ampliou a pressão sobre a prefeitura envolve a discussão sobre a possível ampliação da participação de organizações sociais na administração de unidades de saúde. Críticos acusam a gestão de abrir caminho para uma terceirização da saúde pública em meio a sucessivos problemas estruturais enfrentados pela rede municipal. Sindicatos e movimentos populares passaram a questionar a falta de transparência sobre os contratos e os impactos para os servidores da área.
O desgaste também aparece nas ruas. Buracos, obras lentas e problemas de drenagem seguem entre as principais reclamações da população. Blogs políticos da Capital têm explorado o aumento da rejeição da prefeita e o sentimento de insatisfação em diferentes regiões da cidade.
Nos bastidores, grupos ligados à oposição voltaram a citar pedidos de impeachment e denúncias fiscais envolvendo a gestão municipal, ampliando o ambiente de instabilidade política.
Com a aproximação das articulações para 2026, aliados admitem reservadamente preocupação com o aumento das críticas e o impacto da crise administrativa na imagem da prefeita.
O cenário também começa a gerar reflexos no campo eleitoral do deputado estadual Lídio Lopes, marido da prefeita e nome que disputará mais uma reeleição para a Assembleia Legislativa. Integrante de uma base política historicamente ligada ao segmento evangélico, Lídio acompanha com preocupação o desgaste acumulado pela administração municipal, já que parte de sua força política sempre esteve associada à projeção do grupo liderado por Adriane em Campo Grande.
Conforme apuração do site O Portal MS, interlocutores ligados ao meio político e religioso avaliam que as bases eleitorais do deputado no segmento evangélico apresentam sinais de desgaste em diferentes regiões do Estado. A avaliação interna é de que o desgaste da prefeitura pode acabar respingando diretamente no projeto de reeleição do parlamentar.
Outro ponto observado nos bastidores envolve a disputa por espaço dentro da Assembleia de Deus Missões, igreja onde Lídio construiu parte de sua trajetória política e religiosa. Segundo relatos de lideranças políticas e evangélicas ouvidas pelo portal, a possível entrada de Junior Longo — filho do pastor presidente Elias Longo — em uma futura disputa por vaga na Assembleia Legislativa pode reduzir o espaço político hoje ocupado pelo deputado dentro do segmento religioso.
Diante desse cenário, aliados avaliam que a principal esperança eleitoral do grupo passa diretamente pela recuperação da imagem política da prefeita Adriane Lopes. A deterioração da popularidade da administração municipal, segundo essa leitura, já preocupa setores próximos ao deputado estadual, que busca manter influência dentro da base conservadora e religiosa de Mato Grosso do Sul.


