A Câmara Municipal de Campo Grande aprovou, nesta terça-feira (03), o Projeto de Lei Complementar nº 1030, que mantém a isenção do Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISSQN) para o transporte coletivo urbano da Capital durante o ano de 2026. A proposta, encaminhada pela Prefeitura, recebeu 20 votos favoráveis e 8 contrários e agora segue para sanção do Executivo.
Segundo a administração municipal, a medida tem como objetivo evitar impacto no valor da tarifa de ônibus paga pelos usuários do transporte coletivo.
A isenção do imposto ao Consórcio Guaicurus, responsável pelo sistema de transporte público da cidade, ocorre desde 2012, sempre com autorização da Câmara. A justificativa apresentada ao longo dos anos é a mesma: retirar o custo do tributo da planilha tarifária para impedir que o valor seja repassado ao passageiro.
Durante a discussão do projeto, o presidente da Câmara, vereador Papy, explicou o funcionamento da medida e o impacto direto na tarifa.
“O ISS está dentro do cálculo da tarifa. Quando o município isenta, ele retira esse valor do cálculo, o que reduz o preço na catraca. Ao invés de receber o imposto do consórcio, o município suspende essa cobrança para que o consumidor não pague a mais na passagem”, afirmou.
Papy também lembrou que a proposta chegou a ser rejeitada no fim do ano passado, mas voltou à pauta após articulação do Executivo para garantir a continuidade da política de moderação tarifária.
Defesa do projeto
Durante a sessão, o vereador Fábio Rocha declarou voto favorável ao projeto e afirmou que a decisão tem relação direta com a proteção ao usuário do transporte coletivo.
“Estamos diante de um tema sensível, que mexe diretamente com o bolso do trabalhador e com a qualidade de vida de milhares de campo-grandenses que dependem diariamente do transporte coletivo”, disse.
O parlamentar destacou que, mesmo diante de críticas ao serviço prestado pelo Consórcio Guaicurus, a discussão sobre a qualidade do transporte deve ser tratada separadamente da política tributária.
“Se esta Casa rejeitar a isenção, o ISSQN volta a incidir. E quem, no final da cadeia, absorve esse custo é o usuário: o trabalhador, o estudante, a mãe que depende do ônibus para levar o filho à escola”, declarou.
Fábio Rocha também ressaltou que a proposta prevê que a isenção seja obrigatoriamente considerada na planilha tarifária autorizada pela Agência Municipal de Regulação, garantindo que o benefício fiscal tenha reflexo direto no cálculo da tarifa.
“Não estamos aqui premiando empresa. Estamos protegendo o usuário de um possível aumento tarifário”, afirmou.
Ao encerrar a fala, o vereador reforçou que a Câmara deve continuar cobrando melhorias no serviço de transporte coletivo, sem provocar aumento imediato no custo para a população.
“Por responsabilidade social, pelo princípio da modicidade tarifária e pela proteção imediata do usuário do transporte coletivo, meu voto é favorável ao projeto”, concluiu.
Como votaram os vereadores
Votos favoráveis à isenção do ISSQN:
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Beto Avelar (PP)
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Carlão (PSB)
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Clodoilson Pires (Podemos)
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Delei Pinheiro (PP)
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Dr. Jamal (MDB)
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Dr. Lívio (União Brasil)
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Dr. Victor Rocha (PSDB)
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Fábio Rocha (União Brasil)
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Flávio Cabo Almi (PSDB)
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Herculano Borges (Republicanos)
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Leinha (Avante)
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Neto Santos (Republicanos)
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Otávio Trad (PSD)
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Prof. Juari (PSDB)
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Prof. Riverton (PP)
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Rafael Tavares (PL)
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Ronilço Guerreiro (Podemos)
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Silvio Pitu (PSDB)
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Veterinário Francisco (União Brasil)
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Wilson Lands (Avante)
Votos contrários:
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André Salinero (PL)
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Ana Portela (PL)
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Jean Ferreira (PT)
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Junior Coringa (MDB)
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Landmark (PT)
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Luiza Ribeiro (PT)
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Maicon Nogueira (PP)
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Marquinhos Trad (PDT)
Com a aprovação, a proposta mantém a isenção do ISSQN entre 1º de janeiro e 31 de dezembro de 2026, medida que, segundo a Prefeitura, ajuda a preservar o valor da passagem e evitar reajustes no transporte coletivo da capital.




