A Polícia Civil concluiu que a morte de Janete Feles Valoes, de 45 anos, no Assentamento São Joaquim, zona rural de Selvíria, não foi feminicídio. O inquérito foi reclassificado para suicídio após novas diligências, coleta de informações e análise de laudos periciais. A decisão foi divulgada em nota oficial pela Delegacia de Polícia do município.
Segundo a médica legista, com base no laudo necroscópico, ficou constatado que a própria vítima empurrou a faca contra o peito. O documento aponta que a lâmina não estava totalmente cravada no corpo — característica apontada como comum em casos de autoferimento. A angulação do golpe também foi considerada compatível com suicídio.
O filho de Janete, que tentou socorrê-la, confirmou à polícia que a mãe enfrentava tratamento contra um câncer e passava por sofrimento emocional. Ele relatou que ela já havia manifestado intenção de tirar a própria vida. As investigações não identificaram histórico de violência doméstica entre o casal. O marido, inicialmente preso em flagrante, apresentou a mesma versão durante interrogatório.
Com base nos elementos reunidos, a autoridade policial determinou a exclusão da classificação inicial de feminicídio. Todos os laudos periciais, incluindo exames necroscópicos e análises do local, foram anexados ao inquérito. A Polícia Civil declarou encerradas as diligências, permanecendo à disposição para esclarecimentos.
Relembre o caso
O caso foi inicialmente registrado como feminicídio após a prisão em flagrante de Alipio Drum Alves, de 63 anos, marido da vítima. Janete foi encontrada com uma facada no peito na noite de domingo (8), por volta das 20h40, na residência do casal.
Conforme o boletim de ocorrência, após o fato, o marido ligou para o filho pedindo ajuda e afirmou que a esposa “havia feito uma besteira”. O jovem encontrou a mãe sentada em uma cadeira, com a faca no peito. Ele a levou até a base da concessionária Way, na rodovia MS-112, mas a equipe constatou o óbito no local. A Polícia Militar acionou a Polícia Civil e a perícia.
À época, o caso chegou a ser incluído nas estatísticas de feminicídio de Mato Grosso do Sul. Com a conclusão do inquérito, a corporação informou que a morte não se enquadra como crime, mas como suicídio.
Feminicídios em MS em 2026
Com a reclassificação do caso de Selvíria, permanecem confirmados como feminicídios em Mato Grosso do Sul neste ano:
– Josefa dos Santos, em Bela Vista, em 16 de janeiro;
– Rosana Candia Ohara, em Corumbá, em 24 de janeiro.
Se você ou alguém próximo precisa de ajuda, o Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece apoio emocional gratuito pelo telefone 188, 24 horas por dia.




