Assinado em 19 de dezembro, aditivo amplia em R$ 6,7 milhões gasto com propaganda institucional e garante vigência até o final de 2026
A Câmara Municipal de Campo Grande formalizou, no apagar das luzes de 2025, um novo aditivo milionário ao contrato de publicidade institucional da Casa. Assinado em 19 de dezembro, o termo estende a vigência do contrato por mais 12 meses, de 27 de dezembro de 2025 a 26 de dezembro de 2026 e autoriza o repasse de R$ 6.702.354,21 a cinco agências contratadas.
O reajuste do valor foi calculado com base no índice IPCA/IBGE de 4,46%, mas o que chama a atenção é o momento e a forma como o aditivo foi conduzido: em pleno período de recesso parlamentar, sem ampla divulgação e em meio a crescentes questionamentos sobre a destinação de recursos públicos no Legislativo.
O contrato original havia sido firmado em 26 de dezembro de 2024, no valor de R$ 6,4 milhões, e também previa a prestação de serviços de publicidade institucional. Agora, com o aditivo assinado às vésperas do fim do ano, a despesa com comunicação ultrapassa os R$ 13 milhões em dois anos.
A medida foi autorizada sob a gestão do presidente Epaminondas Vicente Silva Neto, o Papy, com base na nova Lei de Licitações (Lei 14.133/2021). No entanto, a ausência de prestação pública de contas sobre o retorno dessas ações, aliada ao cenário de desgaste da imagem do Legislativo, levanta dúvidas sobre as prioridades da atual Mesa Diretora.
A situação torna-se ainda mais questionável diante do valor devolvido pela Câmara à prefeitura referente ao duodécimo de 2025. O montante foi de aproximadamente R$ 9 milhões, valor abaixo da média esperada para um Legislativo da capital. Para efeito de comparação, a Câmara de Três Lagoas, com um orçamento quase seis vezes menor, anunciou a devolução de R$ 13,3 milhões ao Executivo municipal no mesmo período.
Gastos como o aditivo de publicidade e o baixo volume de recursos economizados ao longo do ano evidenciam um possível descontrole financeiro no Legislativo campo-grandense. A discrepância revela uma gestão pouco eficiente, em que uma Câmara com mais recursos consegue devolver menos que outra de porte muito inferior, o que agrava ainda mais o desgaste da presidência da Casa.




