Arauco avalia uso da hidrovia Paraná-Tietê em rota multimodal para escoar celulose até o Porto de Santos

MAPA-GIC-14-12-2022-23

A empresa chilena Arauco, que está investindo R$ 25 bilhões na construção de uma nova fábrica de celulose em Inocência (MS), estuda uma mudança significativa na estratégia logística para escoamento da produção. Em vez de apostar exclusivamente no transporte ferroviário, a companhia avalia uma rota multimodal que combina rodovia, hidrovia e ferrovia, com destino final no Porto de Santos (SP).

A alternativa colocaria em segundo plano o projeto original de construir um ramal ferroviário de 47 km ligando a fábrica até a malha existente. Pela nova proposta, a celulose sairia por caminhões até Três Lagoas (MS), numa média de 200 carretas por dia, percorrendo cerca de 130 km. De lá, seguiria pela hidrovia Paraná-Tietê até Pederneiras (SP) — em um trajeto fluvial de 450 km — e então seria transportada por ferrovia até o porto, numa extensão de 550 km.

A empresa já tem autorização da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) para construir a ferrovia, com a licença de instalação prevista para setembro. Caso essa seja a escolha final, as obras teriam de começar imediatamente para que a estrutura esteja pronta antes do início da operação da fábrica, previsto para o último trimestre de 2027. A construção do ramal, mais aquisição de locomotivas e vagões, somaria um investimento de R$ 2,4 bilhões.

Sustentabilidade e competitividade

Segundo a Arauco, a hidrovia apresenta vantagens ambientais expressivas. A substituição parcial do transporte rodoviário por modal fluvial permitiria a retirada de 6 mil caminhões das estradas por mês e uma redução de até 80% nas emissões de monóxido de carbono. Já a ferrovia, comparada ao modal rodoviário, representa corte de 60% nas emissões.

Alberto Pagano, executivo da área de transportes da empresa, afirma que a decisão logística tem visão de longo prazo, pensando não apenas na celulose — cuja produção poderá chegar a 5 milhões de toneladas anuais —, mas também no transporte de insumos e em possíveis expansões da unidade.

A Arauco foi recentemente qualificada pela ANTT como Agente Transportador Ferroviário (ATF), o que lhe garante autonomia para operar todo o corredor logístico entre Mato Grosso do Sul e o litoral paulista.

Polo de celulose se expande

Com a nova fábrica, Mato Grosso do Sul consolida sua posição como maior polo de celulose do Brasil, com produção projetada de 11 milhões de toneladas por ano — frente aos atuais 7,6 milhões. O estado abriga ainda a recém-inaugurada fábrica da Suzano em Ribas do Rio Pardo, os planos de expansão da Eldorado em Três Lagoas e o futuro projeto da Bracell em Bataguassu, com início das obras previsto para fevereiro de 2025.

Além do escoamento da celulose, a operação da Arauco envolverá intensa logística interna. Serão 600 viagens diárias para transporte de toras de eucalipto até a fábrica, com 350 caminhões operados por 1,5 mil motoristas. A empresa já cultiva eucalipto em 400 mil hectares na região e planeja plantar 65 mil hectares por ano para garantir o fornecimento contínuo de matéria-prima.

Em 2023, o Brasil produziu 24,3 milhões de toneladas de celulose, com exportações de US$ 12,7 bilhões, segundo dados da Indústria Brasileira de Árvores (Ibá). A planta da Arauco reforça o protagonismo do país no setor e insere o estado em um novo patamar logístico e industrial.

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