O mercado imobiliário de Mato Grosso do Sul registrou forte retração no primeiro semestre de 2025, com o menor volume de financiamentos habitacionais desde 2020. De acordo com dados da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), foram financiadas 2.069 unidades entre janeiro e junho, somando R$ 698,5 milhões — queda de 23,6% em relação a 2024 e de 46% na comparação com 2022.
O cenário é atribuído principalmente ao alto custo do crédito, influenciado pela taxa básica de juros (Selic), que segue em patamar elevado. A taxa média de financiamento imobiliário permaneceu entre 10% e 11% ao ano no período, bem acima dos 7% registrados durante o aquecimento do setor em 2020 e 2021.
“O objetivo da Selic é conter o consumo e a inflação, mas isso também impacta o investimento em bens duráveis, como imóveis”, explica o economista Wagner Bertoldo.
Sinal de alerta no setor
Segundo a série histórica da Abecip, o desempenho do primeiro semestre de 2025 foi inferior até mesmo ao do primeiro ano da pandemia. Em 2020, foram financiadas 2.395 unidades, totalizando R$ 569,8 milhões. O auge do setor ocorreu em 2022, com R$ 1,29 bilhão contratados em 4.531 imóveis.
Em junho, mês mais fraco do ano, foram liberados apenas R$ 91,1 milhões em crédito — menos da metade do registrado no mesmo mês de 2024.
O presidente do Secovi-MS, Geraldo Paiva, também aponta a redução nos depósitos em caderneta de poupança como fator de impacto. “A remuneração da poupança está baixa, o que desestimula os aportes e afeta diretamente a fonte de recursos do SBPE.”
Já o economista Renato Gomes observa que o ciclo de queda da Selic ainda não foi suficiente para impulsionar o crédito. “Além disso, a poupança continua sofrendo com resgates.”
Impactos e perspectivas
A retração no financiamento habitacional afeta toda a cadeia da construção civil, com queda nos lançamentos e na geração de empregos. Para o consumidor, o cenário se traduz em parcelas mais caras e maior dificuldade de acesso ao crédito.
“Mesmo assim, a casa própria continua sendo prioridade para muitas famílias”, avalia Luiz Gomes Dias, do Creci-MS. “Quem está se organizando para comprar pode encontrar boas oportunidades de preço e, no futuro, negociar melhores condições via portabilidade.”
A expectativa do setor é que a manutenção da tendência de queda da Selic pelo Banco Central ajude a reaquecer o mercado no segundo semestre.